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ABERLADO DA HORA

Por: Deputado INOCÊNCIO OLIVEIRA
É um marco indelével na nossa formação cultural esse fato auspicioso que orgulha Pernambuco.
O SR. INOCÊNCIO OLIVEIRA (PFL/PE pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados: No próximo dia 31 de julho, completa 80 anos um dos mais renomados artista plástico brasileiro, reconhecido aqui e no exterior. É o escultor, pintor, desenhista, gravador e ceramista Abelardo da Hora, pernambucano de São Lourenço da Mata e radicado no Recife. É um marco indelével na nossa formação cultural esse fato auspicioso que orgulha Pernambuco.
Abelardo Germano da Hora, ou simplesmente Abelardo da Hora, o Abelardo de todas as horas, como o define o jornalista e cronista Romildo Maia Leite, está presente nas praças do Recife, nas exposições e shoppings centers, no hall dos edifícios, nos movimentos de cultura popular, nos jardins do Palácio do Campo das Princesas, no Museu de Arte Contemporânea da USP, com a escultura “Desamparados”, no MASP, na antiga Checoslováquia (escultura “Água para o Povo”), nos Estados Unidos (Galeria Metodista do Tenessee), no Museu Stalin, em Moscou, na Galeria Debret, em Paris.
É, portanto, um cidadão do mundo. Foi o mestre grande de destacados artistas pernambucanos, como Francisco Brennand, José Cláudio, Gilvan Samico, Wellington Virgolino, Wilton de Souza, Corbiniano Lins, Adão Pinheiro e tantos outros.
Por isso mesmo é merecedor da homenagem desta Casa do Congresso Nacional pelo que fez e ainda faz por nossa cultura, pois ainda se encontra em plena atividade no seu atelier da Rua do Sossego, no Recife.
E, para reforçar mais ainda minhas palavras, passo a ler esta breve biografia desse imortal artista que orgulha a todos nós.
Abelardo Germano da Hora, que se assina Abelardo da Hora, é escultor, pintor, desenhista, gravador e ceramista. Nascido na Usina Tiúma, em São Lourenço da Mata/PE, filho de José Germano da Hora e Severina Germano da Hora. Abelardo da Hora fez o curso técnico de Artes Decorativas no Ginásio e Colégio Técnico Professor Agamenon Magalhães, na Encruzilhada, e curso superior de Escultura na Escola de Belas Artes. É formado Bacharel em Direito, pela Faculdade de Direito de Olinda. Poeta, é fundador da Associação Brasileira de Escritores – seção Pernambuco, depois transformada em UBE. Foi fundador da Sociedade de Arte Moderna do Recife – SAMR, junto com artistas como Hélio Feijó, Augusto Reinaldo, Delson Lima, Darel Valença, Reinaldo Fonseca, Luca Cardoso Ayres, Elezier Xavier e outros.
A SAMR é fundada no recinto da sua primeira exposição de escultura, em 1948, patrocinada pelo DDC, dirigido pelo saudoso José Césio Rigueira Costa. Assume a presidência da SAMR em 1951 e lança as bases de formação do Atelier Coletivo, para cursos de iniciação às artes. Começa a ministrar os referidos cursos em sala cedida pela direção do Liceu de Artes e Ofícios, começando com curso intensivo de desenho, que Abelardo da Hora ministrava gratuitamente, assim como o fez diversas vezes em sua trajetória artística.
A primeira sede do Atelier Coletivo se instala na Rua da Soledade nº 57. Após um ano, muda-se para a Rua Velha e, logo após, para a Rua da Matriz. Ampliando os cursos de Artes Plásticas, cria o clube da gravura e cria processo didático de gravura em placa de gesso sobre o vidro. Amplia o Atelier com setores de artes plásticas, música e teatro, criando uma espécie de universidade popular de artes. Todo esse trabalho recebe o apoio político do então governador Barbosa Lima Sobrinho, sendo todo o projeto exposto na Escola de Engenharia, na Rua do Hospício, com o nome de Casa de Artes.
Depois, no governo municipal de Pelópidas Silveira, o mesmo projeto é apresentado a grande comissão de intelectuais, para a desapropriação do Sítio da Trindade, para a instalação com o nome de Parque de Cultura do Sítio da Trindade, recebendo, nesta reunião, o apoio do saudoso mestre Gilberto Freyre, que acrescenta ao projeto o nome de Parque da Cultura do Arraial Velho do Bom Jesus, sendo assim aprovado por unanimidade.
Na administração do Prefeito José do Rego Maciel, apresenta plano para construção de esculturas de tipos populares da nossa cultura, tais como: “Cantadores”, “Sertanejo”, “Vendedor de Caldo de Cana” e “Vendedor de Pirulito”, ainda hoje existentes no parque 13 de Maio, na Praça Euclides da Cunha e no Parque Dois Irmãos.
Na administração do então Prefeito Miguel Arraes, que fora Secretário da Fazenda do Governador Barbosa Lima Sobrinho e estava presente junto a todo o secretariado do governo na exposição do projeto “Casa das Artes”, pede por intermédio da sua assessora Maria de Jesus, ex-aluna do artista, que seja acrescentada a toda a parte cultural já em andamento, um setor de Educação para alfabetização de crianças e adultos, que seria entregue a um grupo de educadores católicos de esquerda, conforme nomeou o Dr. Arraes. Esse grupo era composto dos seguintes professores: Paulo Freire, Anita Paes Barreto, Germano Coelho, Paulo Rosas, Maria Antônia MacDowel e Norma Coelho. Depois da exposição que o artista fez da estrutura do projeto, ele passou a ser chamado de MCP – Movimento de Cultura Popular, porque, em parte, o professor Germano Coelho acha semelhança com o Movimento Povo e Cultura, que visitou em Paris.
Abelardo da Hora fez parte do conselho de direção do MCP, juntamente com Geraldo Menuchi, que já vinha dirigindo o setor de Música e Luiz Mendonça, que dirigia o setor de Teatro, no projeto ampliado do Atelier Coletivo. Abelardo da Hora foi Secretário de Educação dos Prefeitos: Miguel Arraes, Artur Lima Cavalcanti, Carlos Duarte, Liberato Costa Júnior e no começo da administração municipal de Pelópidas Silveira.
Em 1964, foi preso e teve os direitos políticos suspensos durante o golpe militar. Neste período, Abelardo é chamado para São Paulo pela arquiteta Lina Bo Bardi, depois desta ter realizado, no Museu do Unhão (Salvador), a grande exposição “Civilização Nordeste”, onde adquiriu para este museu uma escultura do artista – “Família do Nordeste”.
Em São Paulo, junto a Walter Zanine, diretor do Museu de Arte Contemporânea da USP, realiza grande exposição de artistas de Pernambuco, que teve o nome “Oficina Pernambucana”, onde é adquirida, por este museu, a escultura “Desamparados”, em concreto com banho de ácido, que permanece, até hoje, no acervo do MAC. Inaugura a Galeria Mirante das Artes, do Professor Pietro Maria Bardi, com a série de desenhos “Danças Brasileiras de Carnaval”. Participa da grande exposição “50 Anos de Escultura Brasileira no Espaço Urbano”, patrocinada pela Rede Globo e Funarte. Tem a série Meninos do Recife em exposição permanente na galeria do Seminário Metodista no Tenessee (EUA) e os originais dessa mesma coleção se encontram no acervo do MAMAM – Recife. Tem desde 1952, na antiga Checoslováquia, sua escultura “Água para o Morro”, no Euromuseum e tem escultura no Museu Salin. Tem obra no acervo do MASP. Convidado pelo Centro Internacional de Arte Contemporânea, realiza em 1986 grande exposição de esculturas na Galeria Debret, da embaixada brasileira em Paris.
Abelardo da Hora foi o mestre de grande parte dos mais destacados artistas da atual geração do estado de Pernambuco, tais como : Francisco Brennand, José Cláudio, Gilvan Samico, Wellington Virgolino, Wilton de Souza, Corbiniano Lins, Adão Pinheiro, Maria de Jesus, Bernardo Dimenstein, Guita Charifker, Leda Bancovski, Rinaldo, entre tantos outros.
É delegado, em Pernambuco, da Internacional de Artes Plásticas, ligada a UNESCO – seção Brasil. É autor de inúmeros bustos e monumentos, autor da lei que obriga obras de artes nos edifícios na cidade do Recife e recebeu inúmeros troféus de várias entidades e Salões de Arte. Recebeu o troféu Construtores da Cultura do Governo do estado no ano de seu lançamento, ao lado de João Cabral de Melo Neto. Em 1995, recebe do Itamarati a comenda da Ordem do Rio Branco, no grau de oficial, das mãos do Presidente Fernando Henrique Cardoso. Realizou, recentemente, a estátua em bronze do ilustre brasileiro de Pernambuco, Mestre Gilberto Freyre, com quem sempre manteve amizade e admiração.
Extensa é a bibliografia sobre Abelardo da Hora, indo desde as edições brasileiras das enciclopédias Delta Larrouse e Barsa – Edit. Britannica do Brasil – que o destaca entre os maiores escultores brasileiros – a livros angulares sobre a arte nacional (como no definitivo Arte Para Que? De Aracy Amaral) e catálogos nacionais e internacionais de arte, como “Memória do Atelier Coletivo”, de José Cláudio, que testemunha seu trabalho como mestre dos artistas acima citados e “Abelardo de Todas as Horas”, de Ronildo Maia Leite e Paulo Brusky, em comemoração aos quarenta anos de sua primeira exposição.
Muito obrigado!
Sala das Sessões, em 20 de maio de 2004.

Deputado INOCÊNCIO OLIVEIRA
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