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Arribaçã: Um recurso manejável do Nordeste

Por: Severino Mendes de Azevedo Júnior
As arribaçãs ou avoantes, também denominadas de pombas-do-sertão devido a sua distribuição geográfica, consistem em uma subespécie de columbídeo que ocorre na caatinga do Nordeste e no Arquipélago de Fernando de Noronha.
O tipo foi classificado a partir do exemplar capturado em Fernando de Noronha, recebendo então, o nome científico de Zenaida auriculata noronha (Chubb, 1819), para o nível subespecífico. A espécie ocorre praticamente em todo o Brasil, sendo a raça do Sudeste uma praga nas plantações de soja em São Paulo e no Paraná, utilizando a cana-de-açúcar como abrigo para a reprodução e a soja para a alimentação, causando assim, danos às culturas. Na região de Córdoba, Argentina, a subespécie é praga da agricultura do sorgo. A raça nordestina movimenta-se sazonalmente pelo centro-oeste do Nordeste, com áreas de reprodução no sertão do São Francisco, Pajeú, Moxotó, Araripe, Seridó, Inhamuns, Jaguaribe, dentre outros.

Trata-se de aves migratórias e cinegéticas, adaptadas às condições ambientais do semi-árido, sendo de hábito alimentar granívoro e generalista, com reprodução colonial. Sua postura mostra geralmente 2 ovos com ninhos rasos, sobretudo no chão, e ocasionalmente suspensos. As áreas de reprodução são chamadas de pombais e podem atingir mais de cinco quilômetros de extensão. O período reprodutivo vai de fevereiro a agosto no centro oeste do Nordeste. Utilizam para a forragem espécies nativas de áreas naturais como marmeleiros e velames (Croton sp), bamburrá (Blainville rhomboidea), pinhão (Jatropha mutabilis), dentre outros. Em áreas antrópicas, podem-se alimentar de grãos oriundos de culturas agrícolas a exemplo de milho, sorgo, soja etc. No que tange as suas importâncias ecológica e social, essas aves são consumidas freqüentemente pelos sertanejos, se tornando uma fonte protéica animal de excelente qualidade para a população rural. Essa tradução alimentar é incompatível com a atual legislação ambiental, que é flexível quando se comprova o estado de pobreza do indivíduo caçador.

No passado, essas pombas-do-sertão constituíram uma das poucas fontes de proteína animal em anos de seca. A caça de comercialização e a amadorística na época reprodutiva, constituem-se em um dos maiores problemas para sua conservação. Os caçadores matam os adultos, filhotes e pisoteiam os ovos, provocando uma grande destruição. A caça fora do período reprodutivo é uma realidade na região do Seridó em municípios da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Os caçadores utilizam armadilhas (sangras) construídas com varas de marmeleiro (Croton), utilizam o milho como isca e capturam de 10 a 12 indivíduos em cada sangra. Alguns caçadores possuem mais de 500 armadilhas. O comércio é realizado nas feiras livres, bares e restaurantes.

Informações recentes vêm registrando a ocorrência das arribaçãs em áreas anteriormente não utilizadas pela subespécie na região. Esse acontecimento, inicialmente, foi verificado no Rio Grande do Norte, durante a seca de 1993, onde alguns bandos utilizaram os canaviais para a realização da postura. Recentemente, em julho/agosto de 1998, foi observada a ocorrência de pombais em canaviais do Rio Grande do Norte e Paraíba, como também a presença de bandos sobrevoando a zona da mata Norte de Pernambuco. No período de 1997 a 1999, a região Nordeste atravessou mais um período de seca, onde os efeitos do "El Niño" provocaram uma das maiores estiagens. Possivelmente, essa redução de chuvas alterou os ciclos reprodutivos das plantas que participam da dieta dessas pombas-do-sertão, provocando, então, a colonização de um agroecossistema anteriormente não utilizado no Nordeste. Os pombais levam de 60 a 70 dias, desde o início da postura até a revoada dos filhotes. O período de postura nos canaviais em julho e agosto foi bem próximo da colheita da cana-de-açúcar, que geralmente ocorre no início de setembro. Habitualmente, a colheita é precedida de uma queimada, fato esse, preocupante, já que os efeitos do fogo dizimam este recurso.

No entanto, as ocorrências não são ainda alarmantes; porém, inquietantes. Duas hipóteses devem ser consideradas: as arribaçãs estão modificando os seus hábitos em função das secas? A modificação de seus hábitos está relacionada com a ação antrópica na caatinga? A presença de Zenaida auriculata noronha nos canaviais poderá acarretar perda do recurso, devido, sobretudo, às queimadas. A subespécie poderá, também, se adaptar ao novo ecossistema que vem colonizando, causando alguns transtornos para a agricultura, principalmente quanto à possibilidade de se tornar praga. Os canaviais do Nordeste são excelentes abrigos para a reprodução. Os pastos do entorno com suas sementes e as culturas de milho e feijão servem como fontes alimentares para a subespécie, propiciando, assim, um ambiente ideal para sua proliferação. Um maior investimento nos estudos ambientais do semi-árido poderá minimizar alterações ecológicas, sobretudo porque a restauração do ambiente implicaria em um custo mais elevado.


* Severino Mendes de Azevedo Júnior é professor adjunto do Departamento de Biologia da UFRPE
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